Saturday, January 10, 2004

Bienal

"Desmaterializando a obra de arte no fim do milenio
Faco um quadro com moleculas de hidrogenio
Fios de pentelho de um velho armenio
Cuspe de mosca, pao dormido, asa de barata torta...

Meu conceito parece a primeira vista
Um barroco co-figurativo, neoexpressionista
Com pitadas de art-nouveau, pos-surrealista
Calcado da revalorizacao da natureza morta

Minha mae certa vez, disse-me um dia
Vendo minha obra exposta na galeria
Meu filho isso eh mais estranho que o cu da jia
E muito mais feio que um hipopotamo em sono

Pra entender um trabalho tao moderno
Eh preciso ler o segundo caderno
Calcular o produto bruto interno
Multiplicar pelo valor das contas de agua, luz e telefone
Rodopiando na furia do ciclone
Reinvento o ceu e o inferno


Minha mae nao entendeu o subtexto
Da arte desmaterializada no presente contexto
Reciclando o lixo la do cesto
Chego a um resultado estetico, bacana

Com a graca de Deus e Basquiar
Nova Iorque me espere que eu vou ja
Pixarei com dende de vatapa
Uma psicodelica baiana

Misturarei anaguas de viuva
Com tampinhas de pepsi e fanta uva
Um pinico com agua da ultima chuva
Ampolas de injecao de penicilina

Desmaterializando a materia
Com a arte pulsando na arteria
Boto fogo no gelo da Siberia
Faco ate cair neve em Teresina
Com o clarao do raio da silibrina
Desintegro o poder da bacteria"

No comments: